Alerta da Inteligência dos EUA Aponta Risco de Ataques Russos com Drones Navais Contra Espanha, França e Itália

Relatório compartilhado com capitais europeias descreve plano de lançamento de aeronaves não tripuladas a partir de navios mercantes no Mediterrâneo, desafiando a defesa do flanco sul do continente.

9/27/20262 min read

Um informe confidencial elaborado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos acendeu o sinal de alerta entre os governos da Europa Ocidental ao indicar a possibilidade de a Rússia conduzir operações de sabotagem com drones contra o território de Espanha, França ou Itália. Segundo informações divulgadas pela imprensa europeia com base em apurações do diário espanhol El Mundo, o plano contemplaria o lançamento clandestino de vetores aéreos não tripulados a partir de embarcações comerciais civis em navegação pelo Mar Mediterrâneo, dificultando a detecção prévia pelos radares militares convencionais.

O alerta tem como elemento central o emprego do modelo Gerbera, um drone de fabricação russa caracterizado pelo baixo custo operacional, estrutura compacta de cerca de dois metros e peso aproximado de 18 quilos. Com alcance estimado em até 600 quilômetros e velocidade de cruzeiro de 160 km/h, o equipamento transporta uma carga bélica reduzida, entre quatro e cinco quilos de explosivos. De acordo com analistas militares, a finalidade desse armamento não reside na destruição maciça de instalações, mas sim na guerra psicológica e na perturbação de serviços essenciais, como a paralisação de grandes aeroportos civis, a deflagração de incêndios em refinarias ou a simples demonstração de vulnerabilidade na retaguarda dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A tática de operar a partir de plataformas marítimas já possui precedentes mapeados pelas forças de defesa europeias. Em ocasiões anteriores, embarcações russas de monitoramento eletrônico foram flagradas realizando lançamentos de teste em estreitos estratégicos, como o de Öresund, no Báltico. Além disso, governos ocidentais atribuem a Moscou ações recentes executadas no limiar da guerra convencional, a exemplo da incursão de aeronaves não tripuladas nas proximidades do aeroporto alemão de Leipzig e da violação sistemática de espaços aéreos no Leste Europeu.

A escolha de alvos no sul do continente reflete uma estratégia de exploração de vulnerabilidades estruturais. Diferentemente dos países do flanco oriental, como Polônia e os Estados Bálticos, que fortaleceram substancialmente suas redes integradas de defesa antiaérea, nações como a Espanha dispõem de cobertura limitada contra drones de pequeno porte que voam em baixas altitudes. Essa disparidade reforça advertências recentes da cúpula da OTAN sobre o alcance dos armamentos modernos, que desmontam a tese de que a distância geográfica das fronteiras com a Ucrânia e a Rússia garante imunidade a Madri, Roma ou Paris.

O cenário ganha complexidade política adicional com as eleições presidenciais e parlamentares programadas para 2027 nesses três países do Mediterrâneo, ambiente propício para a amplificação de divisões internas por meio de ações de desestabilização de baixo custo. Na Espanha, o alerta sobrecarrega ainda mais as relações diplomáticas com Washington: o Palácio da Moncloa enfrenta forte pressão de autoridades norte-americanas para elevar seus investimentos em defesa e cumprir as metas financeiras estabelecidas pela aliança atlântica, tornando a blindagem do espaço aéreo um tema central de segurança nacional.