Epidemia de Ebola no Congo Avança Sem Controle Devido a Falhas no Rastreamento

O déficit na identificação permite que o vírus continue circulando de forma oculta e disseminada.

9/27/20262 min read

Visualization of the coronavirus causing COVID-19
Visualization of the coronavirus causing COVID-19

A República Democrática do Congo enfrenta dificuldades críticas para conter o atual surto de ebola em virtude de falhas severas no monitoramento de pessoas expostas ao vírus. Segundo Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC da África), as autoridades de saúde conseguem rastrear apenas cerca de 30 mil contatos, um número drasticamente inferior aos mais de 400 mil que deveriam estar sob vigilância contínua.

O déficit na identificação permite que o vírus continue circulando de forma oculta e disseminada. Os dados revelam que as equipes médicas alcançam menos de 10% dos contatos estimados para os aproximadamente 7.000 casos já confirmados da doença. Kaseya explicou que cada paciente infectado exige, em média, a localização e o isolamento de 60 pessoas com quem teve interação direta ou indireta. Atualmente, mais de 80% dos novos diagnósticos positivos ocorrem em indivíduos que não constavam nas listas prévias de monitoramento do governo, o que evidencia que a cadeia de transmissão escapou do alcance da vigilância sanitária.

A crise também se agrava com a contínua expansão territorial da doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou que o surto alcançou duas novas zonas de saúde: Bulu, localizada na província de Sud Ubangi, e Dungu, em Haut-Uele, área que faz fronteira com o Sudão do Sul. Com esse avanço, o vírus já afeta um total de 63 zonas de saúde distribuídas por sete províncias congolesas. Embora a primeira-ministra Judith Suminwa Tuluka e a ONU relatem uma leve desaceleração no contágio em parte de Ituri — o epicentro da crise —, a liderança do CDC da África mantém o alerta de que a situação permanece grave e sem previsão de controle em curto prazo.

Detectado em maio, este surto já é classificado como o segundo maior da história, ficando atrás apenas da epidemia global que atingiu a África Ocidental entre os anos de 2014 e 2016. Para tentar frear o avanço da doença e fortalecer a resposta médica, a comunidade internacional prometeu quase US$ 2,9 bilhões durante uma cúpula convocada pelos Estados Unidos em Nova York. Desse montante financeiro, US$ 886 milhões foram garantidos pelo governo norte-americano.