Maioria da População Rejeita Casas de Apostas e 36% Atribuem Expansão ao Governo Federal, Revela Pesquisa

Levantamento da AtlasIntel/Bloomberg aponta que 75% dos eleitores defendem a proibição das plataformas e 84% exigem maior rigor tributário sobre o setor.

9/24/20262 min read

Uma nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira (23) pelo instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, delineia um cenário de forte rejeição popular à proliferação das casas de apostas virtuais no Brasil. Os dados indicam que 88,5% da população considera as chamadas "bets" prejudiciais à sociedade, impulsionando o apoio à proibição total das plataformas, que atingiu a marca de 75% do eleitorado — um crescimento de dois pontos percentuais em relação à sondagem de abril. A parcela que se opõe ao banimento recuou de 21% para 17%.

A percepção pública sobre a responsabilidade pela disseminação descontrolada dessas plataformas divide-se entre as últimas gestões do Executivo e o Legislativo. O atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é apontado por 36% dos entrevistados como o principal responsável pelo crescimento do setor. Em seguida, figuram a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, com 25,4%, e o Congresso Nacional, com 16,5%. O Supremo Tribunal Federal (STF) foi responsabilizado por apenas 0,7% dos participantes, enquanto 15% não souberam responder.

O detalhamento do impacto social documenta a visão estruturalmente negativa do brasileiro em relação à atividade. Para 59,9% dos eleitores ouvidos, as casas de apostas trazem exclusivamente prejuízos, ao passo que 28,6% avaliam que os danos superam qualquer benefício. Apenas 0,9% defendem que há mais impactos positivos do que negativos. A narrativa de retorno financeiro também é amplamente rechaçada: 88% dos entrevistados rejeitam frontalmente a premissa de que as apostas online possam servir como complemento de renda ou modalidade de investimento, tese endossada por ínfimos 4%.

Diante da percepção de dano coletivo, a demanda por controle estatal é majoritária. A imposição de uma carga tributária mais severa para as empresas do setor recebe o aval de 84% dos eleitores, ante 10% de rejeição. A imposição de limites estritos à publicidade e ao patrocínio esportivo promovidos pelas bets tem a concordância de 79% dos pesquisados.

A vulnerabilidade do público infanto-juvenil é outro ponto de vulnerabilidade captado pelo levantamento. Para 66% dos entrevistados, é fato que menores de idade possuem acesso facilitado aos ecossistemas de apostas, afirmação rejeitada por 27%. O Palácio do Planalto, acompanhando a insatisfação aferida pelas pesquisas e o impacto na renda das famílias, estuda a edição de uma Medida Provisória (MP) para endurecer a regulamentação ou determinar a proibição operacional das empresas no território nacional.