Primeiro-Ministro do Canadá Admite Ter Avaliado Risco de Invasão Militar Pelos Estados Unidos
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, revelou ter estudado formalmente a possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o território do Canadá. A declaração, concedida em entrevista ao The New York Times, ocorre em resposta às sucessivas falas do presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou a sugerir a anexação do país vizinho para transformá-lo no 51º estado norte-americano.
9/26/20262 min read


Classificando a hipótese como um "risco extremo", Carney justificou a análise como uma medida básica de responsabilidade e gestão de crises. O chefe de Estado recusou-se a detalhar as preparações estratégicas ou o plano de contingência para uma eventual ação armada, ressaltando apenas que ignorar tal cenário seria uma irresponsabilidade institucional, mesmo não sendo a premissa mais provável.
A fricção entre as duas nações, historicamente aliadas, tem raízes recentes em atritos tarifários e declarações públicas agressivas. Em fevereiro de 2025, enquanto o governo americano desenhava uma política de ampla taxação sobre concorrentes e parceiros comerciais, Trump utilizou suas redes sociais para defender abertamente a integração do Canadá aos Estados Unidos. Na ocasião, o presidente prometeu aos canadenses maior proteção militar e isenção de tarifas alfandegárias caso a anexação fosse concretizada.
O tensionamento escalou no mês passado, quando as negociações para a renovação de um acordo comercial estratégico ruíram de última hora. O colapso diplomático colocou ambos os países na iminência de uma guerra tarifária. Apesar do revés econômico, Carney assegurou que as conversas com a Casa Branca seguem ativas. O primeiro-ministro descreveu a dinâmica atual com Trump como pragmática, afirmando que a franqueza mútua sobre os posicionamentos de cada país torna o diálogo mais eficiente e viabiliza a manutenção da relação bilateral.
Paralelamente às negociações, o governo do Canadá iniciou um processo de redução de sua dependência estrutural em relação à infraestrutura e tecnologia norte-americanas. Ottawa está revisando contratos fundamentais de defesa e comunicação, incluindo a dependência da rede de internet via satélite Starlink, operada pela SpaceX, e a viabilidade da compra programada de caças F-35 da fabricante Lockheed Martin.
O posicionamento de cautela e distanciamento reflete a nova doutrina de política externa implementada por Carney. Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, no início do ano, o primeiro-ministro exortou as "potências médias" a buscarem maior autonomia e a atuarem em bloco para mitigar a dependência das grandes potências globais. Na ocasião, resumiu a urgência de uma postura independente com a máxima: "Se não estamos à mesa, estamos no cardápio".
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