Yduqs e Afya anunciam fusão e criam gigante do ensino superior no Brasil

Operação, que prevê a incorporação e extinção da Afya, consolida ecossistema de educação médica com modelo de ensino em larga escala. Grupo alemão Bertelsmann assumirá fatia majoritária da nova companhia.

9/25/20262 min read

Os grupos educacionais Yduqs, controlador da rede Estácio, e Afya, especializado em faculdades de medicina, celebraram um acordo de associação que reconfigura o setor de ensino superior privado no país. O negócio, formalizado por meio de um fato relevante enviado ao mercado, consiste na incorporação da Afya pela Yduqs, o que resultará na extinção societária da primeira e na criação de uma plataforma educacional de proporções inéditas no mercado nacional.

A estratégia central da operação apoia-se na complementaridade dos portfólios. O movimento visa unir a capilaridade e a infraestrutura de educação superior em larga escala da Yduqs à alta rentabilidade e especialização do ecossistema de ensino médico mantido pela Afya.

Nos termos do acordo financeiro, a reestruturação será executada por meio de troca de papéis. Os acionistas da Afya receberão 6,408347 ações ordinárias da Yduqs para cada ação de sua titularidade. Com a conclusão da transação, calculada em bases totalmente diluídas, os atuais investidores da Afya passarão a deter 69% do capital social da empresa combinada, deixando a base acionária original da Yduqs com a fatia de 31%.

A nova composição societária alça a multinacional alemã Bertelsmann, que controlava 69% da Afya, à posição de maior acionista individual da nova companhia, com 47,3% das ações. O redesenho do conselho acomoda ainda a família Esteves (oriunda da Afya) com 7,6% de participação, o fundo Advent (da Yduqs) com 5,3%, e a família Zaher (Yduqs) com 4,8% do capital.

O cronograma estabelecido pelas diretorias fixa o dia 31 de março de 2028 como data-limite para a consumação definitiva da fusão. Para blindar a transação contra eventuais desistências, o contrato estipula cláusulas penais rigorosas (break-up fees). Uma multa compensatória de R$ 325 milhões será cobrada da companhia que criar obstáculos à concretização do negócio antes da aprovação da operação pelas respectivas assembleias gerais. Caso os entraves ocorram após o aval dos acionistas, o valor da sanção financeira será dobrado, atingindo a marca de R$ 650 milhões.